Você se acha complexado? Todos nós somos complexados!

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Dr. Antonio Maspoli

A sabedoria popular incorporou a linguagem da psicologia de forma muito interessante. Geralmente quando alguém esta num ponto fora da curva, em termos emocionais, as pessoas dizem daquele sujeito: ele é complexado. Existem pessoas complexadas? O que é um complexo? Todos têm complexos? Todos são complexados? Em que sentido um complexo afeta a nossa vida? Complexo tem solução?

Um complexo é um conjunto de ideias e imagens de conteúdo afetivo, que se dissociou da consciência por um trauma psicológico e, ou um conflito moral. Um complexo é autônomo e inconsciente em termos psicológicos, o que significa dizer que ele age independente da vontade do sujeito. O complexo possui o individuo e não o contrário.  Daí facilmente confundir-se um complexo com uma possessão.

Em certo sentido todos somos complexados, pois todos nós possuímos complexos. Nem todos os complexos são negativos, maus, ou causam transtornos ao sujeito e aos seus relacionamentos. Existe complexo de amor, de sentimentos positivos e afetos bons.

No mais das vezes, os complexos são de natureza inconsciente, encontram-se no inconsciente pessoal, confundem-se com a sombra, o lado sombrio da natureza humana.

Às vezes o complexo é carregado de afeto negativo: raiva, inveja, ciúmes, ódio, medo, repulsa, compulsão etc. Nesse caso,  quando o complexo emerge na consciência humana,  faz o sujeito transbordar daquele sentimento e emoção correspondente ao complexo.

Lembra-se daquela vez em que algo aconteceu, e você sentiu uma raiva desproporcional ao acontecido, e reagiu de modo intenso e desproporcional, e ficou cego de raiva, completamente tomado por sentimentos e emoções incontroláveis? Naquele  momento você foi dominado por um complexo. Ou lembra-se quando sentiu um desejo mais forte do que você? E esse desejo o dominou e você fez coisas,  que já jurou por diversas vezes,  que jamais faria?  Nesses momentos você foi dominado por um complexo.

Os complexos por serem autônomos e inconscientes não estão sujeitos à vontade do sujeito. Daí a força que carregam. E quanto mais você luta contra um complexo, tanto mais ele se fortalece, como quando ocorre com uma paixão e ou um desejo muito forte. Por isso os complexos encontram-se atrás das grandes compulsões.

Os complexos são os geradores, impulsionadores e mantenedores das grandes compulsões humanas. A compulsão sexual, a compulsão para comprar, a compulsão para comer, a compulsão para mentir, e mesmo a compulsão para falar, todas essas compulsões quase sempre escondem e representam um complexo. A compulsão representa o complexo em sua força e totalidade. A compulsão ocupa o lugar do complexo na consciência do sujeito.

Quando um complexo é muito forte ele pode agir  sobre a personalidade do sujeito do mesmo modo de uma possessão, como ocorreu como a Sybil, aquela moça do livro e do cinema, um caso verdadeiro. Sybil apresentava dezessete personalidades diferentes, sem que uma personalidade soubesse da existência da outra, ou mesmo tivesse conhecimento da outra personalidade. Através de uma análise bem sucedida todas essas personalidades ou complexos foram integradas a sua consciência.

O que fazer então?  Como lidar com um complexo? Somente por meio da análise é que um complexo pode ser integrado à consciência. Quando o complexo é integrado à consciência, a energia que ele carrega, oriunda e condensada pelo trauma que o gerou, é dissolvida e o complexo perde a sua força. Nesse caso não só o  complexo perde a sua força como o trauma e a compulsão correspondente desaparece!  A energia que antes era consumida pelo trauma e pelo complexo, agora é integrada a consciência e canalizadas para gerar saúde, criatividade, equilibro, energia, saúde e até espiritualidade. Não seja um complexado!

Antonio Maspoli
Antonio Maspoli
Sou Antonio Maspoli, cidadão do mundo, Teólogo e Psicólogo. Deus é a minha herança pessoal, meu caso de amor! Deus encantou-me com o a sua presença. E abriu-me as porta do conhecimento do numinoso: "Eu cri, por isso compreendi" (Agostinho). Desde então dediquei a minha vida a conhecer a Deus. E a minha existência a compreender a natureza humana.

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