Motivação para a conversão e adesão ao protestantismo brasileiro

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Motivação para a conversão ou adesão ao protestantismo brasileiro

Antonio Maspoli

Motivation for conversion and adherence to Brazilian Protestantism

Resumo: O Brasil vive um dinamismo sem precedentes no campo religioso. De acordo com o IBGE, censo nacional de 2000 e 2010, o crescimento das igrejas evangélicas e também o número de pessoas que não têm qualquer pertença religiosa são expressivos. Tradicionalmente, o protestantismo reforçou o seu pxcrescimento através do processo de conversão. Este é um fenômeno comum no Brasil contemporâneo..A partir da análise da literatura revista e do depoimento de 100(cem) sujeitos os objetivos atingidos por esta pesquisa foram a) analisar se a experiência de conversão ainda é válida como modo de entrada no protestantismo; b) quais as motivações para o comportamento de conversão e adesão ao protestantismo.

Palavras-chave: Psicologia da Religião, Conversão Religiosa, Motivação, Protestantismo, Adesão Religiosa.

Abstract: Brazil is experiencing an unprecedented dynamism in the religious field. According to the IBGE, the national census of 2000 and 2010, the growth of evangelical churches and the number of people who have no religious affiliation are significant. Traditionally, Protestantism has increased its growth through the conversion process. A review of the literature reveals a lack of studies on the subject. This is a common phenomenon in contemporary Brazil.From the journal literature review and the testimony of one hundred (100) individuals the goals achieved by this research were a) examine whether the conversion experience is still valid as input mode in Protestantism; b) what are the motivations for conversion behavior and adherence to Protestantism.

Key-words: Psychology of Religion, Conversion, Motivation, Protestantism, Religious Accession.

Introdução

O tema da conversão vem despertando o interesse de pesquisadores no Brasil. Entretanto, as pesquisas sobre a conversão e adesão, no Protestantismo brasileiro, são escassas. O renascimento do tema está ligado à efervescência religiosa e espiritual que marcou a segunda metade do século XX e o inicio do século XXI, criando a necessidade de reflexão sobre a conversão e o espaço próprio para as pesquisas, nesse campo, em ciências humanas e sociais. A conversão tratase de um fenômeno bastante comum e intenso no Brasil contemporâneo, como bem demonstrou o censo religioso de 2000 e 2010. A conversão precede o aparecimento de todas as grandes tradições religiosas, especialmente as monoteístas, e fornece um dos modos de expressão do encontro entre o homem e a divindade, seja na experiência individual, seja na étnica ou na coletiva (Mossiere, 2007, pp. 2-3).

A revisão da literatura sobre conversão no protestantismo brasileiro encontrou dificuldades quanto a escassez de pesquisas sobre o tema. Por outro lado, textos sobre conversão em pesquisas de língua inglesa são abundantes. Destacamos alguns: A. Buckser and S. D. Glazier – The Anthropology of Religious Conversion ( 2005); Coraline Buxant e and Vassilis Saroglou and Jaque Scheuer – Contemporary conversions: compensatory needs or self-growth motives(2009); D. Gordon – La Conversion religieuse(1974) ; Stephen Happel and James Walter- Conversion and discipleship: a christian foudation for ethics doctrine(1986); R. W Hefner – Historical and Anthropological Perspectives on a Great Transformation.Samuel Southrad and H. Newton Malony – Handbook of Religious Conversion( 1992).

No Brasil registra-se as contribuições de Edênio Valle(2013:2002) ) e Geraldo José de Paiva (2013) no campo da psicologia social da conversão religiosa; e a pesquisa coordenada por Antonio Maspoli de Araújo Gomes: A Psicologia Social a Conversão Religiosa(2013).Outra pesquisa importante é a realizada por Rafael Shoji, Uma perspectiva analítica para os convertidos ao Budismo japonês no Brasil (Vale, 2002, p. 6).

A partir da análise da literatura revista e do depoimento de 100(cem) sujeitos os objetivos atingidos por esta pesquisa foram a) avaliar se a experiência de conversão ainda é válida como modo de entrada no protestantismo; b) analisar quais as motivações para o comportamento de conversão e adesão ao protestantismo.

A análise dos resultados foi realizada de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977), aplicado por GOMES (1995) em sua pesquisa sobre a práxis do psicólogo na comunidade. Os dados da entrevista foram submetidos à análise de face dos conteúdos. Esta pesquisa seguiu as recomendações de PAIVA (2008). As respostas foram analisadas considerando-se as próprias crenças protestantes sobre o Protestantismo.

Conversão na psicologia social da religião

O campo de interesse da Psicologia Social da Religião situa-se no espaço destinado aos fenômenos que acontecem no campo da consciência e do inconsciente do sujeito. No evento da conversão, o que interessa à Psicologia Social da Religião são os acontecimentos que se reportam às cognições, sensações, emoções relativas aos grupos de referência, e as mudanças decorrentes desses fenômenos no comportamento do sujeito. Assim os primeiros psicólogos (James, 1902; 1890) estudaram o fenômeno da conversão, procurando demonstrar as diversas forças psicológicas que nele operam. Desde os primórdios da psicologia, portanto, a conversão é considerada como um processo natural e um comportamento humano tão sujeito às leis ordinárias da psicologia como qualquer outro. Embora a conversão geralmente ocorra no campo das religiões, pode acontecer em outros espaços alheios às religiões, como a ideologia e a política, sendo, portanto, um comportamento que, no mais das vezes, não carece de eventos sobrenaturais e transcendentes para ocorrer.

Nos primórdios da psicologia Willian James (James, 1995) estudou o fenômeno da conversão, utilizando o método indutivo e procuraram compreender as diversas forças psicológicas que operam na conversão. A conversão para James foi considerada como um processo natural e tão sujeito às leis ordinárias da psicologia como qualquer outro. Outro aspecto que convém considerar do ponto de vista puramente psicológico, como apontou William James (James, 1995), refere-se ao fato de que a conversão é um comportamento humano que ocorre no campo das religiões e que, por outro lado, pode acontecer em espaços humanos estanhos às religiões, sendo, portanto, um comportamento que, no mais das vezes, não carece de eventos sobrenaturais e transcendentes para ocorrer.

James combina nesta obra a fenomenologia e o pragmatismo. A fenomenologia, definida como a ciência da experiência da consciência, ou seja, o exame do processo dialético de constituição da consciência desde seu nível mais básico, o sensível, até as formas mais elaboradas da consciência de si que levariam finalmente à apreensão do absoluto. Isto é, o conhecimento como uma volta às coisas mesmas, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como seu objeto intencional. James deixa de lado a religião institucional para dedicar-se à compreensão da experiência religiosa individual. “A religião, por conseguinte, como agora lhes peço arbitrariamente que a aceitem, significará para nós os sentimentos, atos e experiências de indivíduos em sua solidão, na medida em que se sintam relacionados com o que quer que possam considerar o divino” (James, 1995, p. 31).

James acredita que o indivíduo possui um limiar da consciência, abaixo do qual se encontra uma corrente poderosa de energia das mais diversas intensidade e qualidade. Dizer que alguém se converteu é afirmar que a energia religiosa assumiu o controle da sua personalidade. ”(James, 1995, p. 126).. A conversão, portanto, associa-se à experiência mística. “Isso, pelo menos, é o que significa a conversão em termos gerais, quer acreditemos, quer não, que se faz mister uma operação divina direta parra produzir uma mudança natural dessa ordem.”(James, 1995, p. 126).Para James, a conversão se associa à experiência mística e tem os mesmos componentes atribuídos a esse estado religioso que envolve a totalidade da pessoa. “Pode irromper de modo súbito ou gradual e se conectar, psicologicamente, a uma maior ou menor intranquilidade ou inconsistência interna” Valle, m2002 p. 6). William James, em sua clássica definição de conversão, relaciona a conversão a uma ação da graça divina sobre o convertido.

Converter-se — escreve ele – “regenerar-se, receber a graça, sentir a religião, obter uma graça, são tantas outras expressões que denotam o processo, gradual ou repentino, por cujo intermédio um eu até então dividido, e conscientemente errado, inferior e infeliz, se torna unificado e conscientemente certo, superior e feliz, em consequência de seu domínio mais firme das realidades religiosas. Isto, pelo menos, é o que significa a conversão em termos gerais, quer acreditemos quer não, que se faz mister uma operação divina direta para produzir uma mudança natural dessa ordem”.(James, 1995, p. 126).

A concepção de James sobre a conversão aproxima-se da concepção da teologia do novo nascimento, embora sua ênfase sobre este fenômeno seja puramente psicológica.

Converter-se, regenerar-se, receber a graça, sentir a religião, obter uma certeza, são outras tantas expressões que denotam o processo, gradual ou repentino, pôr cujo intermédio um eu até então dividido e, conscientemente, errado, inferir e infeliz, se torna iniciado e conscientemente certo, superior e feliz, em consequência do seu domínio mais firme das realidades religiosas(James, 1995, p. 126).

O resultado dos estudos psicológicos da conversão na religião cristã apontou alguns fatores comuns a este evento: a) Uma crise existencial que antecede esta experiência (Johnson, 1964); b) Uma ruptura com o estilo de vida anterior à conversão (Johnson, 1964); c) Uma mudança radical na cosmovisão e mesmo no estilo de vida do sujeito (James, 1902); d) Um estado paradoxal da consciência que oscila entre os dois estados experimentados pelo convertido: aquele vivenciado antes da conversão, e aquele outro experimentado depois (Mossiere, 2007, p. 10).

O termo conversão na psicologia social da religião é utilizado também para caracterizar a entrada de uma pessoa em uma nova religião, capaz de transformar a cosmovisão do sujeito, mudar a identidade do converso e alterar sua relação com a realidade e o mundo. Entretanto, parece que a grande mudança que ocorre na natureza do convertido diz respeito às suas percepções de Deus, de si mesmo e do mundo. A conversão pode significarCertains parlent d’une transformation radicale (Nock 1933), voire d’une rupture dans le sens d’une réorganisation fondamentale du système de sens de l’individu (Travisano et al. 1970). transformação radical; ou mesmo uma ruptura no sentido de uma reorganização fundamental do sistema de sentido do individuo. A conversão religiosa também pode ser compreendida como uma mudança de ideologia ou o deslocamento de um universo de discurso por outro ou, o predomínio de um universo de discurso anteriormente periférico ao status de uma autoridade primária; pode representar uma mudança de paradigma. Pour plusieurs, la conversion constitue davantage un déplacement progressif de croyances (Downton 1980; Long et Hadden 1983; Morrison 1992; Richardson 1978; Suchman 1992) ou un processus multiple, cumulatif, composé de différentes étapes (Balch 1980; Balch et Taylor 1977; Greil et Rudy 1984; Rambo 1993).Para muitos a conversão constitui mais do que um deslocamento gradual de crenças, ou um processo múltiplo, cumulativo, que consiste em diferentes fases. Finalmente, há quem a considere de maneira mais dinâmica como uma negociação permanente entre um estado anterior e um estado posterior. No entanto, a maioria dos pesquisadores reconhece que se trata de um ato eminentemente social que altera todas as relações sociais e influencia a relação com a identidade, a comunidade, a etnia e estrutura social. (Mossiere, 2007, p. 7). Enfin, certains la considèrent de façon plus dynamique comme une négociation permanente entre un état antérieur et un état postérieur (Bankston et al. 1981; Horton 1971, 1975).

\Faute de se développer autour d’un consensus, le concept de conversion s’est défini en opposition à d’autres notions, dont sa figure antithétique, l’apostasie (Altemeyer et Hunsberger 1997; Galanter 1983; Hoge 1981; Streib et Keller 2003). Ainsi, l’acte d’adhésion comprend toute forme de participation à un mouvement religieux sans changement systématique de style de vie, contrairement à la conversion qui implique un changement du système de valeurs et de la vision du monde, « a turning which implies a consciousness that a great change is involved that the old was wrong and the new is right » (Nock 1933, p. 6-7).La notion d’« alternation » proposée par Travisano réfère à un acte relativement facile et réversible dans la mesure où l’éthique adoptée par le converti est déjà inscrite dans son système de sens et qu’elle émerge de ses programmes de comportement existants (Travisano et al. 1Em contraste, a conversão indica transição para uma identidade proscrita do universo dos discursos anteriores da pessoa, “mudança que implica uma consciência de que uma grande mudança aconteceu que o antigo estava errado e o novo é o certo” (Nock, 1933, pp. 6-7). Na conversão, a ideia de consolidação, que envolve a adoção de um novo sistema de crenças ou de identidades, combina duas visões do mundo anteriores, todavia contraditórias, enquanto a conversão marca uma descontinuidade na vida do convertido.

Quanto às motivações religiosas para a conversão e adesão continuam válidas as observações de Willian James:

Deus não é conhecido, nem compreendido: Deus é usado às vezes como fornecedor de alimentos, outras como sustentáculo moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Revela-se útil a consciência religiosa não lhe pede mais do que isso. Existe Deus realmente? Como existe? O que é ele? São outras tantas perguntas irrelevantes. Não Deus, mas a vida, mais vida, uma vida maior, mais rica, mais satisfatória, em última análise, é a finalidade da religião. O amor à vida, em qualquer nível de desenvolvimento, é o impulso religioso.” (James, 1995, p. 313).

La variété des perspectives provient également de l’association intime de la problématique aux enjeux sociaux du temps et du lieu.

A conversão considerada sob o ponto de vista da Psicologia Social da Religião deve incluir, entre outros, os fatores culturais que podem agir como atração simbólica sobre os convertidos, a força de coesão do grupo de referência, e mesmo as mudanças que regem o mercado religioso que podem interferir na conversão do sujeito ( Suchman, , 1992).

Uma tipologia psicológica da conversão deve considerar três tipos diferentes dessa experiência: a) A conversão que acontece no indivíduo que se converte de uma religião para outra; b) A conversão que ocorre naquele sujeito que jamais pertenceu a uma tradição religiosa; c) A reconversão ou reversão. Reversão é o termo utilizado pelo islã para designar os adeptos oriundos de outras religiões. (Suchman, 1992; Mossiere, 2007, p. 10).

Geráldine Mossière (2007) publicou o resultado de importantes grupos de trabalho sobre conversão, ligados à psicologia, à sociologia e à antropologia, os quais destacam a atualidade das pesquisas neste campo e revelam que, mesmo nas religiões oriundas do Mediterrâneo, como o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, existem diferenças relativas ao conceito de conversão. Observa-se ainda nestes estudos que tomam a conversão cristã como paradigma, que este modelo não serve para religiões orientais, nem para religiões afro brasileiras, onde o termo adesão parece mais adequado para denominar a experiência de afiliação religiosa (Paiva, 1999).

A. Oksanen (Okasanen, 1994) realizou um estudo meta-analítico das teorias da conversão, com ênfase na teoria do apego, de Bowlby, Segundo essa teoria, o apego seria o responsável pela regulação, que é uma capacidade de alterar a si próprio, para acomodar-se ao ambiente externo ou interno. Os padrões afetivos são manifestados a partir dessas referências. Estes padrões definem as regras, comportamentos, sentimentos e pensamentos especialmente nas relações afetivas. Definem também outros canais de comunicação como as crenças religiosas, os mitos e as sequências repetitivas. Deus aparece nesta abordagem como uma figura de apego. Em algumas experiências de conversão o apego à figura divina substitui o apego às figuras parentais para superar a angústia e a ansiedade advindas das crises produzidas pela perda e separação. O apego à figura divina pela conversão pode modificar para melhor autoimagem e mesmo a autoestima do convertido.

Coaline Buxant(2009) et at. Pesquisou 180 convertidos a diveras religiões em busca de motivações intrinsecas que levaram os sujeitos a este comportamento.A pesquisa realizada por Buxant conclui que existe uma profunda necessidade de apego nesses convertidos. Esses sujeitos, em geral, vieram de relações paternas onde o apego foi marcado pela insegurança. A conversão seria uma síntese da necessdiade de apego do sujeitos e da oferta de afeto da parte do grupo. O afeto grupal de manifesta apo meio do pertencimento.

Sandra Duarte de Souza,(2006) realizou uma pesquisa sobre as motivações para o transito religioso e encontrou resultados muito semelhantes.

Uma média de 45% dos homens apontou problemas econômicos e de doença pessoal como os motivos principais de sua andança religiosa. Em outras palavras, são motivos de fundo individual que geram as demandas simbólicas desses homens entrevistados. Somente depois disso é que vêm os outros motivos como doença ou morte dos filhos (22,7%) e doença ou morte da esposa (14%). Os problemas conjugais somam ínfimos 2%%. Esses dados não parecem assim tão alarmantes, mas se os compararmos com as respostas das mulheres, veremos uma grande divergência de interesses em sua busca religiosa. Nada menos que 59% delas relataram mudança religiosa em busca de cura dos filhos e consolo, no caso da morte desses. Essa cura inclui desde doenças físicas até problemas de envolvimento com drogas. Um outro recordista da preocupação das mulheres nesse quadro é aquele que se refere à doença ou morte do cônjuge (44,5%). Mais uma vez a preocupação dessas mulheres é com o outro, dessa vez com o marido. Em terceiro lugar, essa mulher aponta os problemas conjugais como motivo de preocupação (39,5%). Em sua maioria, esses problemas estão relacionados à infidelidade por parte do marido, vindo, em alguns casos, a redundar na separação. É somente em quarto lugar que as preocupações com sua saúde pessoal vão aparecer seguidas de problemas econômicos em geral (Souza, 2006, p. 26).”

Crenças sobre conversão no protestantismo

O conceito no cristianismo conversão foi construído pouco a pouco. Ganhou força na Patrística, com as Confissões de Santo Agostinho, quando este narrou sua experiência de encontro com Deus (Agostinho, 1984), no IV século da era cristã, ganhando contornos definitivos. C’est probablement les « Confessions de saint Augustin » qui, dans le christianisme, marquent le plus significativement la définition de la « conversion ».AAAaAs Confissões de Santo Agostinho é que, no Cristianismo, marcaram mais significativamente a definição de conversão. Le concept y est décrit comme une expérience spirituelle et transcendante, mais aussi fortement subjective et intime (Godo 2000), un mouvement intérieur qui fait qu’on « se détourne de » pour « se tourner vers ». O conceito é descrito como uma experiência espiritual e transcendente, mas também altamente subjetiva e íntima. Nesta experiência, o sujeito, ouvindo o chamado divino de forma subjetiva e pessoal, deixa o mundo e volta-se para Deus.Décobert (2001) note que la conversion au christianisme s’exprime avant tout par le récit. Les premiers écrits sur la conversion s’inscrivent dans la littérature des martyrs chrétiens et associent le phénomène à la passion au sens étymologique du terme, soit une expérience, voire une souffrance profonde. Decobert (2001) observou que a conversão ao Cristianismo se expressa acima de tudo pela narração. As primeiras mensagens sobre a conversão ao Cristianismo aparecem nas narrativas da Patrística; inscrevem-se na literatura dos mártires cristãos e associam o fenômeno com a paixão no sentido etimológico do termo, ou seja, uma experiência ou mesmo um sofrimento profundo, uma identificação total com a vida e obra do Cristo.

L’évolution du schéma narratif de la conversion suit en quelque sorte le processus de diffusion et d’institutionnalisation du christianisme.A evolução do esquema narrativo da conversão segue, em certa medida, o processo de difusão e institucionalização do cristianismo. Les récits sont avant tout des témoignages d’un cheminement vers le christianisme dont les « Confessions de saint Augustin » constituent l’archétype.Os relatOs relatos são essencialmente testemunhos de um caminho para o cristianismo, cujas Confissões de Santo Agostinho constituem o protótipo. Ils s’articulent autour du rôle de la foi, deEles giram em torno do papel da fé, l’introspection et de l’autocontrôle. C’est avec les premières tentatives de prosélytisme que le style narratif se développe autour d’une faute originelle progressivement assimilée à un état de criseda introspecção e do autocontrole. É com as primeiras tentativas de proselitismo que o estilo narrativo se desenvolve em torno de um pecado original gradualmente assimilado a um estado de crise. Il traduit alors une éthique de la culpabilité.Ele traduz, então, uma ética da culpa.Ainsi, la rhétorique oppose la fragilité et le règne des émotions d’une période passée à la domination du soi dans le temps présent, si bien que la conversion devient un discours de la « discipline et de l’identité et de leur lien mutuel » (Décobert 2001). (Mossiere, 2007, p. 5).

O protestantismo histórico brasileiro tem três grandes afluentes: o protestantismo de exílio, o protestantismo de imigração com os luteranos (Prien, 2001), e o protestantismo de missões, com os presbiterianos do norte dos Estados Unidos, os metodistas e os batistas (Ribeiro,1973; Reyle, 1981; Azevedo, 1996). O protestantismo de exílio deu origem aos congregacionais e àqueles presbiterianos confederado do sul dos Estados Unidos que deram origem às cidades de Santa Bárbara do Oeste e Americana no estado de São Paulo. O protestantismo de imigração encontra-se na raiz de luteranos, anglicanos e congregacionais. O protestantismo de missões e o protestantismo de exílio originaram os presbiterianos, os metodistas e os batistas.

Os pentecostais nasceram como dissidências do protestantismo histórico. A quizília teológica que deu origem aos pentecostais foi o movimento em torno da experiência do batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais Read, (1967). Quanto à experiência da conversão as diferenças teológicas parecem insignificantes entre os protestantes e os pentecostais ().

No protestantismo histórico diversos autores estudaram a doutrina da conversão e formularam um modelo teológico para essa experiência religiosa. De forma geral a conversão apresenta os seguintes elementos: a) uma crise pessoal; b) um elemento sobrenatural- o novo nascimento; c)um aspecto elemento cognitivo; d) um componente emocional e ou, sentimental e; e) uma mudança de atitude (Hodge, 1877; Strong, 1907; Berkhoff, 1966; Agostinho,1984).

O protestantismo brasileiro de modo geral é de cunho pietista e conversionista, com exceção dos luteranos, como atestaram Mendonça e Velasques (Mendonça e Velasques, 1990). De forma geral, a conversão no Protestantismo apresenta os seguintes elementos a conversão pressupõe uma ação sobrenatural de Deus; principia com a iluminação, ou seja, a ação do Espírito Santo no coração do homem, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo; b) esse ato sobrenatural de Deus produz o novo nascimento que, segundo a crença protestante, é o nascimento espiritual para Deus por intermédio do Espírito Santo; c) a conversão tem lugar na consciência humana; embora carregada de elementos puramente subjetivos, a conversão envolve uma atitude consciente do homem; d) a conversão marca uma tomada de atitude diante da vida e de Deus; o homem consciente do seu pecado deixa o mundo e volta-se para Deus; e) a conversão produz mudança instantânea de vida, uma única vez, que não se repete ao longo da experiência religiosa do sujeito; f) a conversão geralmente nasce de uma crise aguda na existência do sujeito, embora existam conversões sem crise existencial.

No século XVIII o Protestantismo desenvolveu o pietismo, movimento que alastrou-se pelas igrejas inglesas e norte-americanas. Esse movimento pregava a necessidade de se viver um Cristianismo simples e prático. Converter-se significa nascer de novo.

Pregava sermões de caráter prático, fervoroso, simples, evitando aquele estilo rígido de oratória tão em moda na época. Insistia na verdade da regeneração, aquela mudança produzida no coração do homem de fé, pelo Espírito de Deus; insistia no fato de que ser nascido de Deus e levar uma vida de santidade e serviço, era infinitamente mais importante do que ter pontos de vista ortodoxos quanto à doutrina(Nichols , 1954; pp. 176-177).

A partir do pietismo, sua matriz, o Protestantismo brasileiro, considera a conversão como atitude de rearmamento moral (Lloyd – Jones,1974;Packer, 1996). No entanto, o fenômeno da conversão, particularmente no Protestantismo de missões, manifesta aspectos bem mais profundos e radicais do que se poderia esperar. Trata-se de uma prática de fé, que tem seus fundamentos nas influências pietistas e moralistas, que ressurge sempre entre os grupos protestantes oriundos da Reforma religiosa do século XVI.

Em suma, sob este prisma, a conversão é o fim da alternação (BERGER), uma mudança brusca que implica na interrupção de certas dúvidas e questionamentos. Constata-se que a profunda comoção em que às vezes, a conversão se realiza, expressa o fim de vários tipos de anseios, de dúvidas e angústias, a esperança de que, daquele momento em diante, a mudança de rumo representa a solução dos problemas e uma maneira correta e adequada de se interpretar a vida (Maciel, 1988, p. 50).

Nos termos em que a conversão é posta e vivenciada pelo neoconverso, a mudança de atitude, frente à vida, pode significar rompimento com a cultura de origem, simplificação dos problemas da vida cotidiana com a perda gradativa de abertura para o novo, fechamento para novos relacionamentos, especialmente para aqueles que signifiquem novos sistemas simbólicos e religiosos, posto que todos os fatos devem estar crivados pelos novos preceitos adquiridos pela nova cosmovisão religiosa.

Universo pesquisado

A amostra dessa pesquisa foi estabelecida pelo critério da conveniência. Isto é, foram selecionados aqueles sujeitos que aceiraram participar da pesquisa. Nessa pesquisa foram contatados inicialmente 824 sujeitos; dos quais, 724 por e-mail; 70 pessoalmente e 54 por telefone. Desse total, 110 sujeitos aceitaram participar da amostra e 110 responderam ao questionário. Seis foram descartados da pesquisa por que um declarou-se convertido ao ateísmo; três, ao Catolicismo e dois, ao Candomblé. E a pesquisa centrou-se na conversão ao protestantismo. Quatro sujeitos protestantes declararam desconhecer o que seja o fenômeno da conversão. Restaram, portanto, 100 sujeitos. Desses, 82 foram entrevistados pessoalmente e 18 decidiram responder os questionários pela internet. Foram entrevistados, portanto, 100 sujeitos convertidos ao Protestantismo (histórico e pentecostal), no Brasil, das Igrejas Presbiterianas, Batista e Pentecostal da Assembleia de Deus e Quadrangular, da cidade de São Paulo. Foi considerado o grau de envolvimento dos sujeitos participantes para cada sujeito da pesquisa com suas respectivas denominações. Os relatos foram obtidos a partir de entrevistas. Na construção do instrumento de pesquisa foram considerados os fatores arrolados por Edênio Vale (Vale, , 2002, p. 12).

A análise dos resultados foi realizada de acordo com o modelo teórico formulado por L. Bardin (1977), aplicado por Antonio M. A. Gomes (1995) em sua pesquisa sobre a práxis do psicólogo na comunidade. Os depoimentos foram julgados por três juízes, sendo um protestante e dois não protestante para selecionar as experiências que poderiam ser consideradas conversão. Os dados das entrevistas foram submetidos à análise de face dos conteúdos. Esta pesquisa seguiu as recomendações de Paiva (2008). As respostas foram analisadas considerando-se as próprias crenças protestantes sobre o Protestantismo. Finalmente o grupo constituído de oito pesquisadores analisou cada experiência narrada e a classificou como conversão ou adesão conforme as crenças sobre a conversão exaradas da Psicologia Social da Religião e do próprio protestantismo para este termo.

Discussão e análise dos resultados

Do total de 100(cem) sujeitos pesquisdos, considerando-se as próprias crenças do Protestantismo sobre conversão, 67 sujeitos, ou 67% declaram-se convertidos, em seus depoimentos; 33 sujeitos, ou 33 % da amostra, declaram afiliação por adesão ao Protestantismo.

Quanto a origem religiosa dos 67 convertidos. O espectro da amostra apresentou a seguinte caracterização para origem religiosa antes da conversão ou adesão: 50 sujeitos, ou 50%, declararam-se oriundos da Igreja Católica Apostólica Romana antes da conversão ou adesão. 13 sujeitos, ou 13 %, declararam-se de origem pentecostal; 13 sujeitos, ou 13%, declararam-se originários da Igreja Presbiteriana; 9% declararam-se sem religião antes da conversão ou adesão; 6 sujeitos, ou 6%, de origem batista; 3 sujeitos, ou 3%, de origem budista; 3 sujeitos, ou 3%, de origem espírita; 1 sujeito, ou 1%, declarou-se originário do candomblé; 1 sujeito, ou 1%, originário das Testemunhas de Jeová; 1 sujeito, ou 1%, originário da Umbanda. Corroborando com as tendências do Senso de 2000 e de 2010 esta pesquisa evidencia a evasão da fieis Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil.

Quanto ao destino religioso dos 67 convertidos. Do total de sujeitos convertidos, ou 41%, declararam-se convertidos na Igreja Presbiteriana; 35%, na Igreja Pentecostal e 24%, na Igreja Batista. Cabe registrar por outro lado, o termo conversão por si só já é não suficiente para expressar a experiência religiosa de afiliação ao Protestantismo histórico e ao Pentecostalismo, posto que 33 sujeitos, ou 33% da amostra, declararam apenas adesão ao Protestantismo.

Quanto à religião onde ocorreu a afiliação por adesão dos 33 sujeitos : 46 % aderiram a Igreja Pentecostal; 27%, a Igreja Batista; 27%, a Igreja Presbiteriana.

À luz dos resultados desta pesquisa, pode-se afirmar que a experiência de afiliação ao Protestantismo histórico e pentecostal em São Paulo carece de três termos para a sua compreensão: conversão, adesão e peregrinação. Como resultado destes termos, temos, portanto, como afiliados ao Protestantismo e ao Pentecostalismo, o convertido, o agregado e o peregrino ( Hervieu-Léger, 1947, p. 81-107; (Valle, 2002, p. 6).

A partir da análise dos dados, pode-se afirmar que o termo conversão ainda é válido para expressar parte da experiência religiosa de afiliação ao Protestantismo histórico, aqui representado por sujeitos Presbiterianos e Batistas, e também por sujeitos pentecostais da Assembleia de Deus e da Igreja Quadrangular. Do total dos sujeitos, considerando-se as próprias crenças do Protestantismo sobre conversão, 67 sujeitos, ou 67%, declaram-se convertidos em seus depoimentos

Podemos afirmar que, no pensamento de William James, o termo conversão, na Psicologia Social, aproxima-se e muito do conceito de conversão oriunda da teologia cristã. Esse dado é corroborado por Edênio Vale (Valle, 2002). A concepção de James sobre a conversão aproxima-se da concepção da teológica do novo nascimento, embora sua ênfase sobre este fenômeno seja puramente psicológica.

Para James a conversão, em especial quando repentina, implica quase necessariamente uma crise do universo interior do convertido, provocando por isto mudanças profundas na personalidade do convertido e repercutindo em seu comportamento exterior global. Parece que James a via como sendo uma irrupção de energias e motivações que não tinham maiores conexões com o meio cultural e as tensões da época. O mesmo se diga com relação à biografia do sujeito: essa era considerada, sim, por James, mas, para ele, o peso da experi6encia de conversão estava era na presença avassaladora do sagrado na pessoa em crise. (Valle, 2002, p. 7).

Esta pesquisa explicitou também os fatores motivacionais que se encontram subjacentes à experiência de conversão e ou adesão.

Do total de sujeitos declarados convertidos, 67, 18% apresentaram, como motivação religiosa para a conversão, o uso de drogas;16%, a busca de conhecimento religioso; 13%, crise na adolescência; 10%, crise de saúde ou doença; 10%, crise familiar; 10%, crise existencial; 8% não encontraram nenhum motivo para a conversão; 6% apresentaram experiências anomalísticas ou sobrenaturais; 3% não declaram as razões; 2% tiveram como motivação o exorcismo; 2% não apreentaram crise.

Do total de sujeitos masculinos convertidos, foram encontradas as seguintes motivações: 24%, uso de drogas ou drogadicção; 18%, busca de conhecimento religioso; 11%, crise na adolescência; 11%, crise de saúde ou doença; 9%, crise familiar; 9%, crise existencial; 4%, experiencia anomalística; 4% converteram-se sem motivo aparente; 4% não revelaramu as razões da conversão; 2%, exorcismo; 2%, crise de identidade; 2% converteu-se sem crise.

Motivação religiosa para conversão para o gênero feminino. Do total de sujeitos femininos convertidos, 40 foram encontradas as seguintes motivações: 19%, crise na adolescência; 14%, crise familiar; 14%, crise existencial; 14%, busca de conhecimento religioso; 14% não saberiam apontar os motivos da conversão; 10%, experiência anomalística; 5%, drogadicção.

Conforme pode se inferir dos resultados apfesentados acima os fatores motivacionais para conversão de homens e mulheres são realmente diferentes. Basta verificar quando comparamos o item referente ao uso de drogas como fator motivador da conversão. A drogadição aparece em primeiro lugar para os homens com 24 % e em último lugar para as mulheres com apenas 5%.

Quanto aos sujeitos que foram classificados como adesão religiosa,33, por religião de origem: 49% de origem católica; 12%, presbiteriana; 9%, sem religião; 9%, pentecostal; 9%, batista; 3%, budista; 3%, espírita; 3%, Testemunha de Jeová;; 3%, umbanda. 0%, candomblé

Quanto à religião em que ocorreu a afiliação por adesão: 46% aderiram na Igreja Pentecostal; 27%, na Igreja Batista; 27%, na Igreja Presbiteriana. . Registra não se tratar de uma amostra representativa porque as populações presbiteriana, batista e pentecostal são quantitativamente bem diferentes !

Motivação religiosa para adesão. Ds 33 sujets a motivação para adesão foram: 19%, crise familiar; 18%, crise de saúde ou doença; 15%, busca do conhecimento religioso; 12%, crise existencial; 3%, crise na adolescência; 9% não apresentaram motivos para a adesão; 6%, necessidade de pertencimento; 6%, drogadicção; 6%, crise existencial; 6% não apresentaram crise.

Motivação para adesão religiosa gênero masculino: 58 %. Quanto à motivação para adesão religiosa por gênero masculino: 22%, crise familiar; 15%, crise de saúde ou doença; 14%, uso de drogas ou drogadicção; 14%, crise existencial; 14% não revelaram a motivação; 7%, crise na adolescência; 7%, busca de conhecimento religioso; 7%, sem crise como motivação.

Motivação religiosa para adesão por gênero feminino: 42 %. Têm-se os seguintes resultados: 21%, crise de saúde; 21%, busca de conhecimento religioso; 16%, crise familiar; 11%, instinto gregário; 10%, crise existencial; 11%, pertencimento; 5%, sem crise como motivação; 5% não revelaram a motivação. A pertença equivale a uma ‘disposição psicossociologia’; deve ser concebida como ‘uma estruturação estável dos processos perceptivos, motivacionais e emocionais’ que são exercidos pelo novo membro inserção em relação a esse seu grupo de inserção” (Valle 2002, p.7).

Considerações finais

O objetivo geral desta pesquisa consistiu em avaliar se o termo conversão ainda é válido para se abordar a experiência religiosa de afiliação ao Protestantismo (histórico e pentecostal) e/ou se esse termo pode ser substituído pelo conceito de adesão. A partir da análise dos dados, pode-se afirmar que sim. O termo conversão é válido para expressar parte da experiência religiosa do Protestantismo histórico, aqui representado por sujeitos Presbiterianos e Batistas, e também por sujeitos pentecostais da Assembleia de Deus e da Igreja Quadrangular. Do total dos sujeitos, considerando-se as próprias crenças do Protestantismo sobre conversão, 67 sujeitos, ou 67%, declaram-se convertidos em seus depoimentos. Do total de sujeitos convertidos, ou 41%, declararam-se convertidos na Igreja Presbiteriana; 35%, na Igreja Pentecostal e 24%, na Igreja Batista.

Por outro lado, o termo conversão por si só já é não suficiente para expressar a experiência religiosa de afiliação ao Protestantismo histórico e ao Pentecostalismo, posto que 33 sujeitos, ou 33% da amostra, declaram apenas adesão ao Protestantismo.

Quanto à religião onde ocorreu a afiliação por adesão: 46 % aderiram na Igreja Pentecostal; 27%, na Igreja Batista; 27%, na Igreja Presbiteriana. À luz dos resultados desta pesquisa, pode-se afirmar que a experiência de afiliação ao Protestantismo histórico e pentecostal em São Paulo carece de três termos para a sua compreensão: conversão, adesão e peregrinação. Como resultado destes termos, temos, portanto, como afiliados ao Protestantismo e ao Pentecostalismo, o convertido, o agregado e o peregrino. (Hervieu-Léger, 1947, p. 81-107; (Vale, 2002, p. 6).

Esta pesquisa analisou as relações do termo conversão, na Psicologia Social da Religião, à luz da perspectiva cognitiva com o conceito de conversão no Protestantismo (histórico e pentecostal). Podemos afirmar que, no pensamento de William James, o termo conversão, na Psicologia Social, aproxima-se e muito do conceito de conversão oriunda da teologia cristã. Esse dado é corroborado por Edênio Vale (Valle, 2002). A concepção de James sobre a conversão aproxima-se da concepção da teológica do novo nascimento, embora sua ênfase sobre este fenômeno seja puramente psicológica (Valle, 2002, p. 7).

Existe um ponto de convergência entre a concepção protestante e aquela oriunda da psicologia social da religião sobre a experiência da conversão? William James (1995) considerou essa possibilidade. Para James, a conversão se associa à experiência mística e tem os mesmos componentes atribuídos a esse estado religioso que envolve a totalidade da pessoa. Pode irromper de modo súbito ou gradual e se conectar, psicologicamente, a uma maior ou menor intranquilidade ou inconsistência interna da pessoa. São vários os seus componentes: ela, quando profunda, é de alguma maneira “inefável”; é mais um estado de intuição da evidência tangível de um objeto igualmente inefável do que o resultado de uma penetração intelectual do mesmo. Não dura, além disso, muito longamente em seu estado de quase êxtase, mas é processada ao longo de um tempo psicológico que pode ser mais ou menos longo.

Na psicologia social da religião, o estudo psicológico da conversão cristã apontou alguns fatores comuns a esse evento: a) crise existencial que antecede essa experiência (Jonhson,, 1964); b) ruptura com o estilo de vida anterior à conversão (idem); c) mudança radical na cosmovisão e mesmo no estilo de vida do sujeito (James, 1995, ); d) um estado paradoxal da consciência, que oscila entre os dois estados experimentados pelo convertido: aquele antes da conversão e aquele outro depois desta. (Mossiere, , 2007, p. 10).

Outras pesquisas poderão inclusive levantar a motivação religiosa para a afiliação ao protestantismo e ainda buscar explicitar os fatores cognitivos e emocionais responsáveis pela conversão religiosa ao Protestantismo histórico e ao Pentecostalismo, destacando os aspectos contraintuitivos, positivos e ou negativos, envolvidos no processo da conversão, como cognições, experiências sensoriais (sensações, emoções, etc.).

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Antonio Maspoli
Antonio Maspoli
Sou Antonio Maspoli, cidadão do mundo, Teólogo e Psicólogo. Deus é a minha herança pessoal, meu caso de amor! Deus encantou-me com o a sua presença. E abriu-me as porta do conhecimento do numinoso: "Eu cri, por isso compreendi" (Agostinho). Desde então dediquei a minha vida a conhecer a Deus. E a minha existência a compreender a natureza humana.

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