Adolescência: um retrato conceitual na década de 1970

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ADOLESCÊNCIA: UM RETRATO CONCEITUAL NA DÉCADA DE 1970

ANTONIO MASPOLI

Podem conceituar como quiserem, para eu, a adolescência é algo como um lírio doirado, cujas pétalas, são transformadas de espinhos durante a sua investida para o sol. É um marco, em que o homem, deixa a vida “sem sentido”, e passa a sentir a vida, passa a buscar um sentido para ela. É o período, que necessita mais de compreensão que de críticas, mais de amor que de transformação, e mais de aproveitamento que de estatísticas.

NTRODUÇÃO – A ADOLESCÊNCIA

A adolescência, não parece ser um tema apaixonante apenas para o nosso século. Já no século II a.C. Terêncio, escreveu uma comédia em que ele procura analisar os problemas de dois adolescentes, representando os problemas da educação para a formação do jovem. Também de uma maneira indireta, e às vezes direta, filósofos como Platão, Aristóteles e Sócrates parecem ter se preocupado com a adolescência.

Em nosso século, a pesquisa neste setor muito tem se desenvolvido. Após a segunda guerra, dezenas de estudiosos tem se lançado na pesquisa da idade da adolescência, e até mesmo em nossa pátria, que dormia ao sabor do empirismo científico tem despertado para esta realidade, e tem empreendido pesquisas sobre a adolescência e suas implicações sociais.

Assim é que neste campo de pesquisas podemos encontrar homens da envergadura de Spranger, Mira y López e Lauro de Oliveira Lima, que muito se empenham pelos problemas e pela vida dos adolescentes, aproveitando o trabalho que já existe no setor, como as pesquisas do pioneiríssimo Rousseau.

Nesta pesquisa, procuro aproveitar o que de melhor, prático e definido existe nos estudos sobre a adolescência.

Assim é que reservei o primeiro capítulo para uma conceituação e definição do problema no seu âmbito global. Já no segundo e terceiros capítulos, reservei para abordar, debater e comentar os problemas de desenvolvimento social e psicológico enfrentados pelo adolescente.

Tendo em vista que os problemas de Delinquência Juvenil, é algo de complexo e importante para este estudo, reservei o quarto capítulo para abordar tal problema, a luz de estatística atualizada como uma da Universidade de Harvard, que fiz uso. No penúltimo capítulo (o quinto), documentei dois sistemas de classificação do adolescente e, no sexto capítulo abordei somente o adolescente da minha terra, o Brasil, usando os parcos meios que são disponíveis neste setor tão importante e tão carente do nosso povo.

Terminei feliz, por ter concluído minha tarefa, e aprendizado tanto, de tão importante assunto da vida. Peço licença aos sábios e oro ao Senhor, para que esta pesquisa possa ser usada, pelo menos por mim mesmo, para a edificação do Seu povo, para a Sua Glória.

A ADOLESCÊNCIA

INTRODUÇÃO

Os estudos sobre a adolescência não são recentes. Já no século II a.C. Terêncio se mostrava preocupado com a adolescência ao analisar os frutos de uma boa ou má educação, analisada em sua comédia “Os Adelfos”. Mas foi com o advento da psicologia moderna, que este assunto tomou vulto, como estudo sistematizado tendo em vista as pesquisas realizadas com adolescentes normais e anormais, por iminentes psicológicos.

CONCEITUAÇÃO DE ADOLESCÊNCIA

Muitos são os entendidos que procuram de uma ou de outra maneira conceituar a adolescência. Não nos lançaremos à liça, e citaremos somente os conceituadores, que são realmente autorizados, pela sua participação neste estudo.

Para Rousseau, pioneiríssimo no estudo da adolescência, “É efetivamente, uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação”.

Já em tempos remotos, encontramos definições sobre adolescência. Para Platão, a adolescência era “uma embriaguez espiritual”, e nós podemos facilmente compreender este conceito, quando encontramos Platão seriamente comprometido com a ciência das ideias.

Para Aristóteles, que já olhava de uma forma um pouco diferente de Platão, partindo de sua visão introspectiva ele conceitua a adolescência como “a idade cheia de desejos”.

Buscando uma conceituação mais atual de adolescência encontramos na obra de Spranger “Psicologia de La Edad Juvenil”, a seguinte afirmação do grande estudioso: “A adolescência, não é somente a fase do desenvolvimento da vida do homem, situada entre a meninice e a maturidade, entre a típica estrutura psíquica da criança ainda não diferenciada, e a estrutura já bem diferenciada do homem e da mulher”. Partindo desta afirmação, tudo nos leva a acreditar que Spranger deu grande importância à adolescência para toda a vida do indivíduo, máxime da vida mental.

Até certo ponto esta importância dada por Spranger ao psiquismo na adolescência é muito válida, porque com as transformações fisiológicas que ocorrem na estrutura do adolescente não se pode negar, as implicações de caráter mental que isto acarreta.

Para Garrison, a adolescência é considerada o período de vida durante o qual começa a ser alcançada a maturidade, principalmente a maturidade de procriação, isto é, a capacidade que o moço, ou a moça agora, apresentam de gerar um novo ser. É também um período marcado pelas dificuldades advindas para o indivíduo, por não poder precisar “se ainda é criança, ou se já é adulto.”

Todos os estudiosos que procuram determinar a classificação, a conceituação de adolescência, geralmente demonstram uma grande preocupação em se afirmar que: Na adolescência, sempre ocorrem muitos problemas de caráter psíquico.

Para o Dr. Mira y López, “A adolescência não se mede pela idade cronológica, nem pelo peso ou estatura individual, mas sim pelas modalidades de seus desejos e temores dominantes, pela constelação de incógnitas que angustiam o ser, pela norma de conduta com que pretende separar aquela e esta”.

A conceituação do Dr. Mira y López é muito apreciável por não ser dogmática quanto à idade, ou mesmo o desenvolvimento fisiológico, mas deixa uma percale para cada um destes elementos influenciadores da adolescência.

Dentro desta “constelação de incógnitas”, podemos facilmente encontrar um lugar, para a estrela do desenvolvimento fisiológico, psíquico, social e religioso.

Etimologicamente, adolescência vem do latim ADOLESCERE que significa crescer. Assim adolescência é a fase da vida que apresenta crescimento acelerado, intenso, com modificações substanciais “nos modos de agir e de pensar”. Na verdade, adolescência é uma fase de crescimento tanto somático quanto psíquico; tanto exterior quanto interior. É uma fase de crescimento biológico, acompanhado de alterações funcionais bem como de alterações psicológicas e sociais. É uma fase de crescimento em todas as direções. É uma fase evolutiva que se estende em todas as direções, criando certamente desequilíbrio em todos os aspectos do ser. Assim é que a criança de repente se vê envolvida por uma série de fenômenos, que estão ocorrendo em si e em seus companheiros de idade, e que ela não sabe precisar realmente o que seja tais fenômenos.

Geralmente os processos fisiológicos da adolescência, são iniciados mais ou menos aos dez, ou doze anos de idade, e se estende conforme o caso específico até os dezessete ou dezenove anos.

Resumindo, podemos dizer que a adolescência é caracterizada por fortes transformações somático-fisiológicas, por alterações no psiquismo e nas relações sociais, provocando verdadeira crise na vida do ser.

Leta S. Hollingworth, sintetiza a adolescência dizendo: “Os postulados deste período são: primeiro, ver-se livre da vigilância dos pais; segundo, tomar conta e conhecimento de indivíduos do sexo oposto; terceiro, capacidade para ganhar a vida; quarto, uma visão do mundo que unifique a vida e lhe dê sentido”.

Pelo primeiro postulado – Ver-se livre da vigilância paterna, pode ser ampliado para: ver-se livre de qualquer tutela protetora, assumir toda a responsabilidade diante do futuro incerto e da vida. O adolescente sente-se capaz de agir sozinho, pensar sozinho. Quase sempre, esta disposição irrita os pais, ou tutores, que o julguem insolente, ou mesmo desobediente. Diante da pressão que lhes impõem, os adolescentes sentem o desejo de abandonar o lar. De quebrar a estrutura existente na sociedade e, em suas fantasias ele se sente até capaz de fundar uma outra, onde ninguém possa lhe dizer o que deve e o que não deve fazer.

Pelo segundo postulado – Contato e conhecimento do sexo oposto, entendemos como uma função que se manifesta existente, mas não encontra solução legal e plausível, a não ser com o matrimônio. A supressão da função sexual, diante dos fatores religiosos e sociais gera conflitos de várias naturezas, principalmente em uma sociedade onde seus componentes vivem obcecados pelo sexo.

Pelo terceiro postulado – Capacidade para ganhar a vida, entendemos as aspirações de independência do adolescente.

Pelo quarto postulado – Uma visão do mundo, que lhe indique a vida e lhe dê um sentido. Revela as preocupações psicológicas, filosóficas e sociais do adolescente. Enquanto criança, ele nunca havia se envolvido com o mundo ao seu redor. Era parte da sociedade, mas não tomava parte nas decisões que a mesma tomava, agora, o adolescente busca diante dos vários problemas, que naturalmente lhe são apresentados, ele busca a sua identidade, entre a visão fantasiosa (da sua infância) e a visão real (da sua maturidade). Este postulado também denota as preocupações do adolescente, em reconstruir o que foi destruído pelo trabalho incessante do espírito critico.

FASES DA ADOLESCÊNCIA

A adolescência se desenvolve em dois planos, que embora entrelaçados apareçam distintos: o plano de ruptura de equilíbrio (caracterizado pelo desequilíbrio, desassossego); e o da tentativa de reequilíbrio (de recuperação biopsicológica). Neste segundo plano, são tentadas as pazes consigo mesmo e com o mundo. Ao final desta segunda fase, o adolescente ingressa na vida adulta. Assim, podemos dividir a adolescência didaticamente da seguinte forma:

  1. Pré-adolescência;

  2. Fase de Ruptura;

  3. Fase de Reequilíbrio.

Pré-adolescência – via de regra se estende dos oito aos dez anos (pode ir até os doze). É uma fase tranquila e de crescimento lento, quase imperceptível. Poucos conflitos existem nesta fase. Na verdade, existe uma estabilidade biológica e psíquica. Muitos psicólogos chamam este período de “fase ave e da vida”, pois de modo geral, esta fase transcorre num estado de calma, que jamais voltará a ser alcançada pelo indivíduo, em suas fases posteriores de desenvolvimento.

De Ruptura – corresponde a esta fase, a adolescência pubertária de Debesse, ou a Maturação de Charolotte e Buhler. Estende-se no Brasil, dos 10 ou 12 anos de idade, aos 13 ou 16 anos de idade, para os meninos e meninas respectivamente. Quanto ao sexo, mais precisamente, ainda pode ser dividida esta fase, do seguinte modo:

  1. Na menina, dos 10-11 aos 13-15 anos de idade;

  2. No menino, dos 11-12 aos 14-16 anos de idade.

Nesta fase se apresenta um crescimento fisiológico acelerado e a função sexual, ensaia o seu aparecimento ostensivo, preparando-se para a maturidade reprodutora que não demorará. Vermely caracterizou esta fase como: “fase de desintegração e conflito”. É nesta fase, que surge nas meninas a primeira menstruação ou menarca, e nos meninos, a primeira polução.

De Reequilíbrio – esta fase, que também é chamada de “fase de afirmação”, segundo Charlotte, ou, ainda, adolescência propriamente dita. Esta fase, estende-se geralmente, segundo o sexo:

  1. Nas Mocinhas, dos 13-15 aos 17-18 anos idade;

  2. Nos Rapazes, dos 14-16 aos 18-19 anos de idade.

Nesta fase, há uma afirmação da revolução biológica, e uma tendência ao atenuamento. O adolescente começa a se adaptar a sua nova forma de vida. Nesta fase, o adolescente busca todos os modos, para estabelecer o equilíbrio bio-psicológico que perdeu durante o processo.

É conveniente frisarmos que os conflitos de ordem moral, social, filosófica e religiosa não se resolveram, isto é, na integra, podendo conforme o caso, perdurar e se projetar por toda a vida do indivíduo.

Quanto ao comportamento social do adolescente nesta fase, podemos sintetizar, no resumo escrito por Leo Borges na Revista Pais e Filhos “Porque ainda sabem brincar, os adolescentes brincam. Porque sabem dançar e correr, eles dançam e correm. Porque tem ritmo, cantam. Cinema, sim. Teatro, não. Às vezes, um livro. Quase sempre uma esquina, com a turma de papo. Porque sabem que é bom estar vivos, os adolescentes vivem”.

RESUMO

Resumindo, a nossa conceituação do que seja a adolescência e do comportamento do adolescente, citaremos a afirmação do Dr. Mira y López, quanto à adolescência: “Adolescência, não se mede pela idade cronológica, nem pelo peso, ou estatura individual, mas sim pelas modalidades de seus desejos e temores dominantes, pela constelação de incógnitas que angustiam o ser, pela norma de conduta que pretende separar aquela e esta”. E quanto ao comportamento do adolescente, ficaremos com o enunciado de Hollingworth “Os postulados deste período são: primeiro, ver-se livre da vigilância dos pais; segundo, tomar conta e conhecimento de indivíduos do sexo oposto; terceiro, capacidade para ganhar a vida; e quarto, uma visão do mundo, que unifique a vida e lhe dê sentido”.

Como definição de adolescência, reconsideraremos a afirmação do grande Rousseau: “A adolescência, é efetivamente uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação”.

O DESENVOLVIMENTO DA ADOLESCÊNCIA

INTRODUÇÃO

A característica mais isolada, mais importante do desenvolvimento do adolescente consiste nas alterações que tem lugar em seu corpo e em sua mente. Antes da ocorrência dessas alterações o adolescente não passa de uma criança, mas depois que ocorrem tanto o rapaz, quanto a moça, passam a estar aptos a reprodução.

O momento e a extinção dessas alterações são imprescindíveis e imprevisíveis para a vida, e na vida do adolescente. O período em que as alterações físicas têm seu ponto alto na adolescência costuma ser chamado pelos estudiosos de: “idade desastrada”. Embora esta expressão não seja lá muito gentil, ela tem a sua razão de ser, tendo em vista que o adolescente agora tem que se adaptar ao novo formato do seu corpo, decorrente das alterações sofridas. Estas adaptações, que o adolescente tem de sofrer em seu ajustamento psicofísico geralmente, trás graves repercussões para a vida psicológica do indivíduo.

Neste estudo, abordaremos todos os aspectos relativos a tais transformações e suas implicações para a vida do adolescente.

O DESENVOLVIMENTO FISIOLÓGICO DO ADOLESCENTE

Muitos estudos foram desenvolvidos e continuam sendo, buscando uma delimitação científica para o desenvolvimento fisiológico do adolescente. Alguns, até subordinaram todas as transformações sofridas pelo adolescente ao seu desenvolvimento fisiológico. O que até certo ponto, pode ser vero.

Uma das regiões do sistema nervoso situado na base do cérebro, pesando cerca de quatro gramas e que se chama hipotálamo, amadurece e inicia uma de suas funções, que é a de comandar a produção dos hormônios, estabelecendo a harmonia do sistema nervoso e endócrino. A ciência, ainda hoje não explicou porque este processo geralmente ocorre na faixa de idade que chamamos de adolescência (dos nove aos doze anos de idade). Sabe-se, porém que é este processo que dá inicio a puberdade, aos processos que levam o indivíduo a maturação sexual.

O amadurecimento do hipotálamo aciona a hipófise, permitindo que esta glândula de pouco mais de meio grama, localizada na base do cérebro, inicie a produção dos hormônios que vão estimular as gônadas (ovários e testículos) a fabricarem seus hormônios, nas mulheres e nos homens respectivamente.

Dentre os vários fatores apontados como determinantes do início da atividade do hipotálamo, estão o grau geral de maturação somática (nível do crescimento do corpo em si), a raça, meio, condições psicológicas e a nutrição do adolescente. Todos estes fatores podem influir direta ou indiretamente, conforme o caso em maior ou menor escala. Como exemplo, podemos citar o caso da menstruação: a menstruação nas meninas do hemisfério norte, aparece mais tarde que nas meninas do hemisfério sul (países de clima tropical).

Ativada pelo hipotálamo, a hipófise começa a produzir os hormônios estimulantes das gônadas, que vão agir sobre os testículos e os ovários. As glândulas gônadas e suprarrenais acionadas começam por sua vez, a produzir os hormônios naturais conforme o sexo, o estrogênio e o androgênio, que são os responsáveis pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários.

A fabricação dos hormônios masculinos e femininos (o androgênio e a testosterona) no caso do homem, e a (progesterona, androgênio e o estrogênio) no caso da mulher.

No caso dos meninos, os responsáveis pelos caracteres sexuais secundários são os hormônios testiculares. O processo se inicia com o crescimento da estatura e estrutura do corpo. Crescimento e pigmentação da genitália, seguido das alterações da voz. Depois aparecem os pelos, desenvolvem-se os músculos, e inicia-se o processo da produção dos espermatozoides.

Na menina, são os hormônios ovarianos que desenvolvem os caracteres sexuais secundários. Em primeiro lugar aparecem os brotos mamários, seguido pelo crescimento da estrutura e do arredondamento do corpo. Depois, aparecem os pelos e o processo culmina com a menarca, ou primeira menstruação. As regras seguintes não ocorrem obrigatoriamente de maneira normal, e geralmente ocorrem atrasos, porque o sistema hormonal ainda não está todo desenvolvido e aperfeiçoado, de forma a manter os ciclos normais.

A MATURAÇÃO SEXUAL DO ADOLESCENTE

Os adolescentes alcançam um importante estágio em seu desenvolvimento sexual, até atingir o ponto desejado, ou seja, a capacidade para a reprodução. Isto se dá quando os adolescentes encontram capacidade para a reprodução de células germinativas.

Usam-se vários termos para descrever o processo ou processos que ocorrem durante a maturação sexual. Um desses termos é puberdade, derivado de púbis, que num dos seus significados diz respeito a cabelos, ou se tornar cabeludo. A puberdade refere-se ao aparecimento de cabelos na área genital. Contudo, no uso comum o termo puberdade, não usado somente para denotar simplesmente o começo do processo de maturação sexual, e sim, para fazer referência ao todo do processo ou, do processo completo. Outro termo usado comumente é menarca, que serve para designar (nas meninas o inicio da menstruação); A “expressão maturidade sexual”, também se usa às vezes como sinônimo de puberdade.

A menarca, ou primeira menstruação é um importante acontecimento na vida das meninas, mas sua ocorrência não significa (no sentido de estar sexualmente madura), que ela esteja apta para a reprodução.

Nos rapazes, não existe nenhum acontecimento único, claro e definido, correspondente à menarca das meninas que se possa usar como critério de maturação sexual. A condição fundamental é o aparecimento de espermatozoides férteis, móveis e capazes de reproduzir.

DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE DO ADOLESCENTE

O desenvolvimento da personalidade do adolescente abrange as principais tendências do adolescente à medida que este assume o seu lugar como pessoa, na sociedade adulta, enfrentando o futuro e lutando pela sobrevivência.

A personalidade do adolescente inclui todos os traços mensuráveis, capacidades, temperamentos e disposições. Também inclui todas as suas tendências emocionais e padrões de comportamento, que caracterizam o indivíduo bem ajustado segundo os padrões da sociedade que vive, e do ponto de vista desta sociedade.

Do ponto de vista do próprio adolescente, o “centro” da sua personalidade é formado por todas as ideias e atitudes que estão incorporadas a concepção de si próprio.

Durante o processo de desenvolvimento, que se estende do nascimento até a idade adulta, existe um alto grau de estabilidade nos traços da personalidade de um indivíduo, mas também, ocorrem ou podem ocorrer alterações significativas. Usualmente as mudanças referidas, constituem alterações que surgem com a idade nas manifestações de diversos traços. É o que comumente se ouve “é problema da idade”, isto é, algo característico e normal para aquela faixa etária. Por exemplo, quando um jovem que era cruelmente agressivo na sua infância, passa na personalidade para um agressivo mais sútil em sua adolescência.

Em relação aos atributos facilmente mensuráveis da personalidade do adolescente, a coerência e a constância, são mais conspícuas que as alterações. De ano para ano, podemos observar certa correspondência entre o peso e a estatura dos adolescentes. Também a capacidade pelos testes de inteligência (capacidade mental), tanto quanto pode ser medida pelos testes de inteligência, costuma permanecer bastante estável. Também a sua “personalidade social”, julgada pelos seus pares, ou medidas pelos testes sociométricos, apesar de ser menos constante que o QI, apresenta uma alta correlação de ano para ano, pelo menos durante o período escolar.

Também na esfera do desenvolvimento do caráter, podemos notar uma considerável coerência, de ano para ano, durante os anos quando aplicamos os mesmos critérios de julgamento (Peck e Havighurst – 1960).

O DESENVOLVIMENTO MENTAL DO ADOLESCENTE

O jovem normal durante a adolescência progride em muitos campos intelectuais. Progride em capacidade e poder intelectual. Desenvolve-se também, a faculdade para estabelecer relações e para resolver problemas de complexidade e dificuldades cada vez maiores. O jovem torna-se muito mais capaz de lidar com ideias abstratas. Acrescenta-se a estas capacidades, a capacidade que normalmente são medidas pelos traços de inteligência.

Neste desenvolvimento mental do adolescente ganha uma capacidade extraordinária nos seguintes pontos:

  1. Auto avaliação;

  2. Generalização;

  3. Abstração;

  4. Conceituação e conceituação do tempo;

  5. Lógica e comunicação.

Tudo isto é claro, de acordo com a formação biológica e social de cada adolescente. Porque estas capacidades, são inerentes aos dons especiais de cada um.

A IDADE DA ABSTRAÇÃO

Muita importância é dada ao estudo do desenvolvimento fisiológico do adolescente. No entanto, segundo o Educador Lauro de Oliveira Lima, um dos pontos que tem grande consequência para a educação é as cinco fases de maturação do pensamento. E que segundo este grande educador brasileiro, tem sido deixado de lado.

As cinco fases da maturação do pensamento, tem muito que ver com a vida do adolescente, por isto relataremos aqui, tais fases. A primeira, é a atividade sensório-motora, que a criança normal atinge aos dois anos de idade; a seguir, vem o pensamento simbólico, ou a “hora da fantasia” segundo Lauro de Lima, que se desenvolve entre os dois e cinco anos de idade, podendo atingir até os seis anos de idade; ainda vem a fase do pensamento intuitivo, ou pré-operatório quando o individuo se mostra profundamente atento a realidade, e altamente perceptivo; temos ainda a fase das operações concretas, que vai até os doze anos de idade, onde o individuo só pensa sobre objetivos e situações concretas, e não entende princípios gerais. Só mais tarde, na quinta fase é que ele apresenta o prazer de trabalhar com hipóteses, e com a reflexão sobre generalização. Esta passagem, para a abstração coincide com a adolescência, que é também chamada de fase do pensamento operacional.

Do ponto de vista escolar, o conhecimento desta divisão é da maior importância, porque ao entrar na adolescência a criança muda profundamente sua maneira de ser e de ver o mundo. Todas as brincadeiras, todos os amigos, todo o mundo da infância perde sua importância, porque o adolescente arranja novos amigos, novos raciocínios e novos problemas a resolver, que são de maneira completamente diferente pelo universo vivido na infância.

O menino de dez anos de idade gosta de montar carrinhos, vive com os bolsos cheios de coisas (botões, tampinhas, barbantes, pregos, etc.). Ele é um fabricante. Ao entrar na adolescência, porém ele parece que se “inclina, fecha os olhos e começa a pensar para dentro”.

Neste período, ele torna-se muito interessado em justiça, em sociedade, e de uma maneira muito marcante tem Deus. Também nesta época segundo o citado educador “Lauro de Lima”, o adolescente torna-se muito interessado no amor, mas um “amor altamente platônico”.

Resumindo, podemos dizer que o adolescente passa em casos normais, um período em cerca de quatro anos, mergulhado em uma profunda reflexão de ordem metafisica.

RESUMO

Os estudos nos conduzem a crer, que o desenvolvimento sexual, mental e físico, em todas as suas maneiras, que se manifestam no adolescente, são uma série de fatores, que vão dando forma ao caráter adulto.

Como ser profundamente sexual, vivendo na dependência do pensamento de si, e dos outros, o homem, enfrenta na adolescência sérios problemas para dar um caráter a sua “maneira de ver o mundo”.

Para resumir as transformações que ocorrem de maneira marcante na adolescência, lançaremos mão de um trecho introdutório, de um estudo sobre a adolescência, que saiu numa Revista Especial da série Pais e Filhos, de Novembro de 1976.

A voz engrossa; ossos e músculos se desenvolvem; no rosto, um prenúncio de barba. E o menino começa a se transformar num homem. O corpo ganha novas formas arredondadas; os olhos ganham uma nova expressão; os seios despontam. A menina está a se transformar em mulher”.

É bom frisarmos, que ao terminar esta fase, não significa necessariamente que o adolescente resolveu seus problemas físicos ou psicológicos. Muitos destes problemas não solucionados, o acompanharão durante toda a sua vida.

DESENVOLVIMENTO E VIDA SOCIAL DO ADOLESCENTE

INTRODUÇÃO

Neste trabalho, abordaremos a vida social do adolescente, levando em consideração a sua vida no grupo e na família. Os aspectos da vida social do adolescente, são complexos e vários, por isso deixaremos em outro capítulo para tratar dos problemas que o adolescente enfrenta na sociedade e consigo mesmo.

O ADOLESCENTE E SEU GRUPO SOCIAL

As relações do adolescente com seu grupo de idade torna-se mais importante à medida que caminha da adolescência para a maturidade, e da infância para a adolescência. Podemos dizer que é a adolescência o ponto de ligação, que liga o futuro homem a sociedade, e a sociedade ao futuro homem. Porque neste período o contato do indivíduo com os companheiros torna-se muito significativo, para montar as bases das convicções do futuro adulto. Assim é que podemos afirmar que a relação do adolescente com seus companheiros são importantes, em conexão com todos os aspectos do seu desenvolvimento e da sua maturação.

Em muitos aspectos, todos os adolescentes tem uma sociedade própria, transcendendo a sociedade geral que vivem, ao mesmo tempo, se distinguindo dela.

A muito de “banditismo” entre os adolescentes. Alguns chegam até a se organizar em bandos, com nome, e mesmo regras rígidas de condutas, definindo uma estrutura organizada de poder dentro do sistema, todavia, estes grupos organizados, são em minoria e o mais comum, é a organização social entre os adolescentes, nos moldes de uma poderosa confederação.

Por meio destas organizações, que os adolescentes se influenciam mutuamente, para daí pressionarem a sociedade em que vivem: sua família, sua escola, etc. Geralmente, como estes bandos são organizações mais ou menos temporárias, os adolescentes ao retornar para casa, levam dentro de si, além dos compromissos de fidelidade com os companheiros, os problemas advindos destes compromissos. No Brasil, por exemplo, é muito comum, os adolescentes de um bairro, viverem numa espécie de confederação, e às vezes se reúnem e descem as raias do absurdo e saem aos outros bairros para se confrontarem com os outros adolescentes de lá. Assim, indiretamente os adolescentes, por meio da sua sociedade embora mal organizada, chegam até a mudar padrões tradicionais dos mais velhos.

Os adolescentes em conjunto, “determinam” como devem ser as coisas. Influenciam o clima moral, decidem qual a melhor maneira de vestir, brincar, etc. Desenvolvendo assim, a sua própria linguagem e etiqueta social. Devemos notar, que estes sistemas de sociedades não são definidas para todos os adolescentes, nem quanto a sociedade, nem quanto aos adolescentes.

Embora os adolescentes encontrem uma certa facilidade de comunicação com seus companheiros de grupo, nas trocas de ideias, pontos de vista e raciocínio, nesta época, porém, os adolescentes se caracterizam pelo devaneio e pela solidão. Geralmente encontram dificuldade de compreender e de compartilhar os seus problemas. Porque seus fiéis companheiros são aqueles que vivem em sua imaginação, frutos da sua fantasia, ou da sua leitura.

Devemos, no entanto, esclarecer que a solidão em que fica acometido o adolescente, não implica necessariamente em isolamento físico. Ela geralmente corresponde ao estado de ânimo, da pessoa que se encontra no meio de uma multidão, e sente-se desligado dela. Sozinho em meio à multidão.

Teóricos da Psicologia Infantil, como o americano Stanley Hall, classificam a adolescência como um período em que floresce o idealismo, e se fortalece a rebelião contra a autoridade, um período em que as dificuldades e o antagonismo, fazem parte do próprio ato de existir. Outros psicólogos, quando se referem ao adolescente do mundo ocidental, comentam: “adolescência, é turbulência”. Também observaram que muitas atitudes, que lhes parecia a princípio decorrente do meio – a rebelião e o idealismo – são atribuídos ao próprio problema do desenvolvimento físico e social do adolescente.

Segundo alguns biólogos, são tantas as mudanças físicas que se operam neste período da vida, que a mesma atitude mantida pelos pais, ao notarem a presença do primeiro dente no filho, deve ser mantida neste período.

Num artigo publicado recentemente, na Revista Pais e Filhos, o educador Lauro de Oliveira, autor de mais de vinte trabalhos sobre a escola e a juventude, fala da importância da contestação para a formação do adolescente. São os jovens empenhados em debates, envolvidos com entusiasmo em ferventes campanhas, que assumem mais tarde, a liderança do grupo social em que vivem isto é sua sociedade.

O ADOLESCENTE E SUA FAMÍLIA

É um hábito, mesmo antes de o filho nascer, os pais começam a planejar como será o futuro do filho. Começam a imaginar o que ele será quando crescer, o que ele fará etc. É um comportamento normal, dizem os especialistas. Segunda a psicóloga brasileira Halina Laufer, e o psiquiatra argentino Eduardo Kalina, os pais sentem os filhos como “sangue do seu sangue, e carne da sua carne”. Embora esta atitude seja admitida como natural, por parte dos estudiosos, esta atitude, no entanto, é algo que traz problemas para os filhos, porque ao assimilar as formas de comunicação e sentimentos na família, a criança absorve também os eventuais deslizes psicológicos.

A herança psicológica tem grande influência sobre a vida do homem. O grande (anti) psiquiatra inglês Ronald Lang, chega a afirmar que para o surgimento de um psicótico, é necessário pelo menos, que duas gerações de seus descendentes tenham sofrido conflitos emocionais graves. Para a antropóloga Margaret Mead, a vida do adolescente na família hoje, é muito desajustada, “os pais e os avós sabem, é muitas vezes irrelevante para os jovens”, tendo em vista que nos encontramos numa sociedade, que se transforma a cada minuto. Assim, hoje a família carece de uma sólida educação para fornecer ao adolescente.

A VIDA RELIGIOSA DO ADOLESCENTE

Do ponto de vista da evolução religiosa do homem, essa é a fase mais importante. Pratt, afirma com razão, que o que há de mais fascinante e atraente em religião, começa na adolescência. A adolescência é uma espécie de novo nascimento, por meio do qual o indivíduo se torna parte de um mundo mais amplo. É portanto nesse período que o homem em desenvolvimento, adquire uma formação, que servirá de espinha dorsal a sua vida, incluindo a dimensão religiosa.

Segundo Pratt, a adolescência tem diante de sai, quatro tarefas de crucial importância para a vida: 1. Desenvolver plenamente as capacidades e funções do corpo; 2. Analisar sua herança intelectual e transforma-la em algo propriamente seu; 3. Ajustar-se a sociedade, da qual agora é real parte integrante e; 4. Passar da categoria de “coisa”, para a categoria de “pessoa”. O fator religião desempenha um importante papel, em cada uma destas quatro fases.

Para Starbuck, um dos pioneiros do estudo da religião do adolescente, “o fim da adolescência, é caracterizado por um período de classificação. Este período é seguido por um despertamento religioso espontâneo”, que ocorre mais ou menos aos 15 anos de idade. Os estudos de Starbuck revelam que as meninas quando chegam aos treze anos de idade, passam por uma fase marcada por confusão. Os meninos, também enfrentam este mesmo problema aos 14 anos de idade, portanto, um ano a menos que as meninas. Depois desta fase de dúvida, que em muitos casos é acompanhado por um período de “alienação”, ou indiferença religiosa, o desenvolvimento religioso do indivíduo, prossegue sem grandes alterações, até a maturação sexual. Nesta fase de maturação sexual, as chamadas crises do adolescente, refletem seus resultados, de modo muito marcante na vida religiosa.

Pesquisas levantadas nos Estados Unidos indicam que dois terços dos adolescentes se rebelam contra os ensinos religiosos da família (pais e avós), bem como também se rebelam contra a sua cultura, ou subcultura. Segundo Allport, metade dessa rebelião acontece antes dos 16 anos de idade e a outra metade, um pouco depois.

Para Paul Johnson, na adolescência, a experiência religiosa é enriquecida por meio de reverência mais profunda, e maior satisfação na comunhão com Deus.

Considerando o fato aqui em nossa Pátria, chegamos à conclusão de que na adolescência, para a vida religiosa do adolescente acontecem coisas realmente notáveis. Alguns chegam a uma experiência com Deus, continuam os caminhos, e nos caminhos traçados por seus pais, outros, abandonam completamente a sua religião, quer seja ela Católica ou Protestante. Uma análise mais profunda deste êxodo na adolescência, por parte dos nossos jovens, encontramos vários aspectos, desde a convicção familiar, falta de uma orientação adequada.

RESUMO

Geralmente na adolescência, o grupo, é caracterizado por certo “banditismo”, onde o sistema funciona mais como uma confederação. É nestes grupos, que os adolescentes aprendem a influenciar a sociedade.

Na família atualmente, os adolescentes estão enfrentando sérios problemas, principalmente os chamados conflitos de geração em que as convicções dos pais, muitas vezes não servem para a dura realidade que seu filho tem de enfrentar, gerando os chamados “conflitos de geração”.

Na religião segundo Paul Johnson, na adolescência se acentua grandemente o interesse religioso. Mais tendo em vista uma má compreensão às dúvidas que se insurgem no coração do adolescente, por parte dos seus familiares e lideres religiosos, eles entram numa fase de “alienação religiosa”, que se dá geralmente até a primeira metade dos 16 anos de idade, tendo em seguida um abrandamento de suas crises de dúvidas e incertezas.

PROBLEMAS DA ADOLESCÊNCIA

INTRODUÇÃO

É muito difícil conceituarmos os problemas do Adolescente, se não conhecemos o meio onde ele vive. Assim, os adolescentes das grandes cidades apresentam um determinado tipo de problema. O mesmo acontecendo com os de cidades médias, pequenas, ou das regiões rurais.

Também temos a considerar que os problemas enfrentados pelo adolescente, também dependem da classe que a sua família ocupa na sociedade. Assim, em nosso estudo abordaremos aqueles problemas, que a nosso ver tem influenciado e afligido pais e adolescentes de todos os quadrantes da terra, ou seja: a angústia e a delinquência juvenil. Certamente daremos mais ênfase ao problema da delinquência juvenil.

A ANGÚSTIA

A angústia ocupa destacado lugar, entre os problemas enfrentados pelo adolescente. Na verdade, todos os jovens são angustiados em certo grau. A angústia sempre se apresenta com várias facetas, que não podem ser abrangidas com uma definição simples do problema. Usando uma afirmação de caráter geral, podemos presumir a existência da angústia, quando alguém mostra uma desarmonia consigo mesmo.

A angústia é um estado psicológico persistente e penoso, decorrente de um conflito anterior. Assim não se torna fácil relatar a angústia em um adolescente, na forma como ela se manifesta no geral. Sabemos, no entanto, que ela pode se caracterizar na sua relação com o próximo, à medida que vai pisando os degraus da sociedade, ou do conhecimento do próximo, bem como quando vai travando conhecimentos consigo mesmo, e com suas novas funções vitais que vão lhe aparecendo.

Cada um dos fatos que o adolescente reconhece pela primeira vez, acerca de sua pessoa, ou da pessoa do próximo, cada aventura que aceita ou que renuncia, cada ameaça as suas ideias, percepções e atitudes já existentes, a despeito de si próprio, pode ser fator determinante na geração da angústia.

A angústia muitas vezes, é uma característica do adolescente tanto são os conflitos que ele tem de enfrentar na busca da autoafirmação, no amor, nas suas finanças, nas suas concepções filosófico-psicológicas, que o adolescente por vezes, sente-se angustiado, e ele próprio, não sabe determinar o estado de sua angústia.

A angústia se torna patente na vida do adolescente, e na vida do homem a medida que ele vai construindo ou destruindo conceitos já formados em sua vida.

A DELINQUÊNCIA JUVENIL

As pesquisas indicam que a delinquência juvenil vem aumentando consideravelmente em todos os países desde a Segunda Guerra Mundial. É preciso notar, porém, que antes os serviços de estatísticas eram irrisórios, pelo que não existiam informações a respeito.

Regredindo um pouco na história, porém, vamos encontrar já muito distante da nossa época, problemas de delinquência juvenil nas castas sociais. Terêncio, no século II a.C., andava muito preocupado com o problema da delinquência juvenil, ao escrever sua comédia “Os Adelfos”. Ele retrata nesta peça, o procedimento de dois jovens irmãos, criados em ambientes diferentes querendo ressaltar assim Terêncio, a grande importância da educação no comportamento do adolescente. Vejamos alguma coisa sobre a peça de Terêncio:

Ésquino, que é educado pelo tio ancião, velho rico, de vida folgada, bastante compreensivo com o sobrinho e Crissifonte, que é educado pelo próprio pai, (Dêmea), velho camponês, severo e intransigente quanto aos deveres, não permitindo a mínima liberdade ao filho. É claro que os dois irmãos vão apresentar comportamentos e traços diferentes. Crissifonte, apaixonado, combina com Ésquino o rapto da amada. Praticado o ato, diante da reação indignada de Dêmea, Crissifonte porta-se hipocritamente, ao passo que Ésquino, agindo francamente, assume a reponsabilidade total do ato. O autor procura mostrar os males da falta e do excesso de liberdade na educação.

A delinquência pode resultar de uma deficiência mental, pelo que o indivíduo não chega a ter capacidade para distinguir os aspectos morais e prever as consequências dos seus atos. Mais ainda, ela pode resultar de uma má orientação recebida na infância, maus hábitos e essencialmente o abandono material e espiritual, levam fatalmente o adolescente a agredir a sociedade.

A falta de orientação ou orientação inadequada, a carência de proteção, as privações econômicas e os estímulos do meio, são fortes motivos da delinquência juvenil. A falta de conveniente assistência, é que leva o adolescente a prática de atos prejudiciais à sociedade.

Estes atos revelam também o estado de deformação em que a alma do próprio delinquente, está a reclamar compreensão, amparo, orientação, e cura para seus males sociais.

Como fatores externos, podemos citar como contribuinte para o aumento da delinquência juvenil os meios de divulgação, o cinema, o mau emprego dos meios de comunicação visual, as revistas pornográficas e a grande permissividade reinante no seio da própria instituição social, a família. Quanto às características da delinquência juvenil, podemos dividir os delinquentes em:

  1. Não basta ser rico para ser Playboy. É preciso que haja o tom corrosivo do meio social em que vive, e abandono total da família;

  2. Não basta ser pobre para ser delinquente. É preciso que haja ignorância, aspirações mal orientadas, condições do meio social e ainda abandono da família;

  3. Não basta ser deficiente mental para ser delinquente, é necessário que haja disposição pessoal e abandono da família.

Assim, o delinquente juvenil provém de todas as classes sociais, porque todas elas, umas com mais, e outras com menos, oferecem condições para o desajustamento de seus adolescentes. Assim, não podemos também, subordinar a delinquência juvenil somente a um “mau gênio” do adolescente, mas também, a um sistema social, que pouco oferece para o desenvolvimento salutar de seus adolescentes.

O adolescente abandonado por este ou aquele motivo, desta ou daquela forma, são arrastados pela delinquência. Isto nós vemos claramente numa pesquisa realizada pela Universidade de Harvard, sobre os motivos da delinquência juvenil:

  • 75% – Gozam de toda permissão dos pais para fazerem o que lhe vem à mente;

  • 60% – Têm pais alcoólatras, (pai e mãe);

  • 60% – Provém de lares desajustados;

  • 80% – Provém de lares com superados sistemas de educação;

  • 80% – Provém de famílias, onde os pais não se interessam pelos filhos;

  • 80% – São tratados com indiferença pela mãe;

  • 80% – São tratados com indiferença pelo pai e pela mãe.

RESUMO

Dentre os inúmeros problemas enfrentados pelos adolescentes, procuramos focalizar dois deles, que se mostram generalizados: a angústia e a delinquência juvenil.

A angústia, geralmente é acarretada, pelo próprio estado em que vive o adolescente, descobrindo o mundo, destruindo e construindo conceitos. E também, diante de problemas que ele tem de enfrentar, mas não encontra solução.

O problema da delinquência já é muito antigo, no entanto, da Segunda Guerra Mundial para cá, ele tem tomado proporções alarmantes em todos os países do mundo. Dentre os problemas que podemos apontar como responsáveis pela delinquência juvenil, podemos citar o abandono familiar, o meio, e a própria disposição do adolescente.

CLASSIFICAÇÃO DO ADOLESCENTE

INTRODUÇÃO

Tendo em vista que existem muitas classificações sobre o adolescente, não nos lançaremos à liça, e usaremos em nossa pesquisa, aquelas, que se mostram mais creditadas pelo interesse da pesquisa em si. Dentre estas, faremos uso da classificação realizada por Eduard Spranger, e outra pelo Dr. Mira y López.

CLASSIFICAÇÃO DE SPRANGER

Spranger fez sua classificação baseado em tipos de personalidade, que, segundo ele, são encontradas em todas as classes sociais. Segundo este critério, os adolescentes podem ser: atléticos, intelectuais, estéticos, ativos, dominadores, sociais, moralistas e místicos. Passaremos a seguir, cada uma destas formas de adolescentes:

  1. Atlético – São adolescentes de exuberante vitalidade e forte vigor físicos. Preferem os exercícios musculares e sempre procuram mostrar força física;

  2. Intelectuais – Este tipo procura mostrar a sua força intelectual. São apaixonados pelas ideias, dados ao raciocínio e costumam ser problemáticos e contemplativos. Distinguem-se nos estudos, são dados à leitura e seu interesse pela reflexão;

  3. Estéticos – São adolescentes que se interessam pelo belo, tanto na natureza quanto na arte;

  4. Ativos – Estes adolescentes são dinâmicos, com forte propensão para todo tipo de atividade. Todo trabalho que realizam, é marcado pelo ardor e pelo entusiasmo;

  5. Dominadores – Este tipo de adolescente é influenciado pelo mundo e costumam influenciar as pessoas com quem convivem;

  6. Sociáveis – Estes são adolescentes simpáticos. Gostam de companhia e facilmente fazem amizades com os outros;

  7. Moralistas – São adolescentes que se sentem atraídos por grandes ideias. Abrigam altas aspirações no campo do direito, da religião e da política;

  8. Místicos – Este tipo de adolescente são quase sempre do tipo religioso, e estão sempre prontos a uma ação apostólica.

CLASSIFICAÇÃO DE MIRA y LÓPEZ

O Dr. Mira y López, apresenta uma “tipologia da juventude desajustada”, classificando os adolescentes em duros, comodistas, contraditórios, sonhadores e “cacetes”. Passaremos também cada um desses, segundo a classificação de Myra y López:

  1. Duros – São adolescentes voluntariosos, violentos e explosivos. São os que mais angustiam as pessoas que se chegam a eles. Não costumam respeitar a autoridade, apresentam tendências para a perversão sexual, e tratam a todos com desprezo;

  2. Comodistas – Os adolescentes comodistas revelam-se apáticos, preguiçosos e infantis. Geralmente vivem encostados nos outros, explorando a boa vontade dos amigos que conseguem fazer;

  3. Contraditórios – Geralmente todos os adolescentes se apresentam contraditórios, mas neste tipo, a contradição é uma constante. De um comportamento carinhoso, escrupuloso e trabalhador pode instantaneamente modificar-se para cínico, repulsivo e até violento;

  4. Hipócritas – São adolescentes muito inteligentes, dissimulados, e geralmente provém de um casal contraditório. O adolescente deste tipo é perigoso, porque ele sempre procura usar a sua inteligência para mostrar aquilo que não é. Mostra-se cívico quando tem geralmente uma má intenção que não custa vir à tona;

  5. Sonhador – O adolescente sonhador costuma ser uma ausência ambulante, uma vez que vive num mundo totalmente fantasioso. Geralmente, este tipo de adolescente só abandona a fantasia para atender a um mínimo das exigências sociais;

  6. Cacete – Este adolescente costuma ser implicante, discute com os demais, e na família geralmente se mostra muito teimoso.

RESUMO

É preciso esclarecer, que classificações como a de Spranger e Myra y López geralmente abrangem características gerais, que por vezes, são comuns a todos os adolescentes. Assim, um adolescente pode apresentar características de um ou de muitos tipos ao mesmo tempo. O critério básico para sabermos qual a classe de determinado adolescente é observarmos qual a ênfase dada a seu comportamento, durante séria observação.

O ADOLESCENTE BRASILEIRO

COMPOSIÇÃO

O adolescente brasileiro compõe mais de um quarto da nossa população, (24 milhões, 988 mil, 762 adolescentes, aproximadamente). No ritmo atual de crescimento, no ano de 2000, serão cerca de cinquenta milhões de adolescentes. Os nossos adolescentes, compõem uma massa heterogênea e complexa, impossível de se delinear uma figura padrão para nosso adolescente. No meio de massa tão heterogênea, o comportamento do adolescente brasileiro, é um fenômeno que vai depender muito de sua história individual, o meio em que vive, bem como de sua formação étnica.

CARACTERÍSTICAS DO ADOLESCENTE BRASILEIRO

A psicóloga Maria José Carneiro Ulhoa, responsável pela primeira e talvez a única pesquisa sobre este tema, buscando um padrão de comportamento para nosso adolescente, numa confrontação com o adolescente universal, ela afirma que “não há um tipo de adolescente brasileiro”, mas adolescente relacionado à estrutura socioeconômica. Fundamentalmente os problemas enfrentados pelo adolescente é o mesmo – o inconsciente é universal – o que particulariza o nosso moço são as diferentes formas de manifestar o seu comportamento próprio.

Segundo o escritor Alceu Amoroso Lima aos doze anos de idade a criança brasileira, (o adolescente), é um adulto em miniatura, sem um lugar definido na sociedade, que cresce entre duas afirmações contraditórias: “você ainda é uma criança”, que é uma exigência de obediência, e “você não é mais uma criança”, que é uma exigência de obrigação. Estes dois extremos realmente são os moduladores da nossa massa de adolescentes.

RESUMO

A heterogeneidade do nosso povo dificulta a conceituação do nosso adolescente, e a única e primeira pesquisa realizada nesse setor, é a da psicóloga Maria José Carneiro Ulhoa, que, no entanto, não conseguiu definir um comportamento padrão para o nosso adolescente. Segundo Alceu Amoroso Lima, o nosso adolescente é filho de dois contrastes: ser uma criança, e não ser uma criança. A verdade, no entanto é muito dura, pois os adolescentes brasileiros estão enfrentando sérios problemas de ordem moral, espiritual e educacional.

CONCLUSÃO – A ADOLESCÊNCIA

O FINAL PSICOLÓGICO DA ADOLESCÊNCIA

Uma vez atingida à puberdade, a última grande mudança fisiológica já ocorreu, e a partir de então, a pessoa continua numa curva muito suave do seu comportamento, até atingir a maturidade.

A adolescência termina provavelmente quando a pessoa atinge a “maturidade psicológica” e deixa a infância, assumindo as responsabilidades da vida adulta.

Embora esta, seja a definição mais aceita, do fim da adolescência, ela carece de base científica, porque não encontramos elementos para medir a “maturidade psicológica” em determinados indivíduos. Assim os estudiosos, por acordo geral, aceitam os primeiros anos, depois dos vinte anos de idade, como final da adolescência. Torna-se óbvio, que esta maneira de demarcar o final da adolescência, é arbitrária, pelas grandes variações existentes de um indivíduo para outro, e pelo fato de que a “maturidade psicológica”, não é um acontecimento uniforme para a vida humana.

COMENTÁRIO

Em todo este trabalho, o que mais encontrei de positivo foi o que pesa para o Ministro Evangélico, na parcela da educação e da orientação do adolescente, tendo em vista que nossas Igrejas estão repletas deles.

Das pesquisas existentes no setor, não raro, os adolescentes não passam de objetos de consumo, como uma apresentada pela Revista Pais e Filhos de Novembro de 1976. No entanto, é confortador descobrirmos a parte séria da pesquisa, onde encontramos grandes vultos empenhados em dar ao Adolescente, o seu lugar devido diante do mundo, diante do homem e diante de Deus.

O que ficou em mim, no entanto, foi um profundo amor pela causa do adolescente, que joga de um lado para outro em nossa sociedade, muitas vezes, carece até de definição, como é o caso do adolescente brasileiro.

BIBLIOGRAFIA

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  2. KRECH, David e Richard S. Crutchfield – Elementos de Psicologia – Livraria Pioneira Editora – 5ª edição – São Paulo, 1976 – 443 páginas – Volume II.

  3. NÉRICI, Imídeo Giuseppe – A Adolescência o Drama de uma Idade – Editora Científica – 5ª edição – Rio de Janeiro, 1971 – 351 páginas.

  4. ROSA, Merval – Psicologia da Religião – Casa Publicadora Batista – Rio de Janeiro, 1971 – 251 páginas.

  5. SAMPAIO, Nelson – A Adolescência – “Revista Pais e Filhos” – Bloch Editores S.A. – Rio de Janeiro, Novembro de 1976 – 106 páginas.

  6. SANDSTROM, Carl Ivar – A Psicologia da Infância e da Adolescência – Zahar Editores – 4ª edição – Rio de Janeiro, 1973 – 288 páginas.

  7. SANTOS, Theobaldo Miranda – Noções de Psicologia da Adolescência – Companhia Editora Nacional – 2ª edição – São Paulo, 1962 – 155 páginas.

  8. STONE, Lawrence. Joseph e Joseph Church – Infância e Adolescência – Editora Professor – 1ª edição – Belo Horizonte, 1967 – 383 páginas.

Antonio Maspoli
Antonio Maspoli
Sou Antonio Maspoli, cidadão do mundo, Teólogo e Psicólogo. Deus é a minha herança pessoal, meu caso de amor! Deus encantou-me com o a sua presença. E abriu-me as porta do conhecimento do numinoso: "Eu cri, por isso compreendi" (Agostinho). Desde então dediquei a minha vida a conhecer a Deus. E a minha existência a compreender a natureza humana.

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